THE TIMES THEY ARE A-CHANGIN' | VIDEO-ARTE + DEBATE + FESTA | QUINTA 11 FEVEREIRO | 21H00



‘Identidades Sexuais’ é o tema em debate no acercadanoite, precedido da estreia da peça de vídeo-arte unCUT, de João Lobo, sobre transidentidades, género, masculinidades.

Integram o painel para o debate (que se fará com recurso ao skype porque estaremos em contacto com Copenhaga), Pia Nielsen e Karin Astrup, representantes da Transdebat & Konsidentitet, associação dinamarquesa de debate de questões de género e identidade e transexualidade e Marie Louise Holm, representante da Nemm-Netvaerk for Forkning om Maend & maskuliniteten, rede de estudo/investigação sobre Homens e masculinidades que integra uma rede de estudo nórdica sobre o mesmo assunto.

No acercadanoite, Miguel Vale de Almeida (Antropólogo Social e Deputado do PS), Helena Pinto (Deputada do BE que apresentou e defendeu o projecto lei sobre casamento e adopção), Filipe Salema do Grupo de Intervenção e reflexão sobre Transexualidades da Associação ILGA Portugal e Manuel Abrantes, representante da Rede ex aequo.

O moderador será Reinhard Naumann, Sociólogo e representante da Fundação Friedrich Ebert em Portugal.

O objectivo desta reunião de pontos de vista é debater o tema, pegando na realidade que temos em Portugal numa altura em que estamos na eminência de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, na convicção de que todos os espaços são dignos do exercício da cidadania e da intervenção social.

Fecharemos a noite com uma festa para a qual todos estão convidados.

Mais informações em:
www.l-o-b-o.com/uncut

A instalação video será apresentada na íntegra nas seguintes datas: 12, 13, 15, 16, 24 e 25 de Fevereiro e 5 e 6 de Março, sempre às 21h30.

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Rua da Cerca nº1
Almada-Velha, Almada
acercadanoite.bar@gmail.com

MODernices no acercadanoite | SÁB 11 FEV | 22h00




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unCUT | PROGRAMA | 11 FEV 2010






u n C U T


www.l-o-b-o.com/uncut


obra de vídeo-arte/dança-teatro sobre transidentidades, género, masculinidade(s) no acercadanoite


línguas: dinamarquês, sueco e inglês / legendas: inglês



Através das histórias dos trigémeos fictícios Joshua, Eva e David que têm diferentes identidades sexuais - e que por razões diferentes, são fascinados por um misterioso, sempre ausente, amigo grego comum Agathon - discutem-se questões da identidade do homem moderno:



a) os conceitos de masculinidade, virilidade e normalidade são abordados poeticamente através do homossexual Joshua (bailarino, personagem a preto-e-branco);



b) o significado dos conceitos de ‘normalidade’, 'beleza' e 'amor ' são debatidos através da lupa ‘queer-poliítica’ de Eva, uma sofisticada mulher transexual (cantora, personagem ruiva, entrevistada);



c) novos valores confrontam a mentalidade heteronormativa de David, um heterossexual que se considera normal e sempre demasidamente ocupado para dar conta do seu semelhante (executivo, personagem de casaco vermelho);



A banda-sonora complementa os personagens dando voz a pessoas reais que L-O-B-O entrevistou na Escandinávia através de um abrangente trabalho-de-investigação e de campo que incluiu também a consulta de diversos especialistas académicos em questões de género. Os seus relatos orbitam as temáticas abordadas pelos personagens.



Os objectivos da instalação "unCUT" são:



. o de apresentar uma abordagem artística que de alguma forma contribua para os debates das questões de género e identidade, tentando integrar conhecimento académico e trabalho de campo num interessante, complexo e pouco comum processo de criação artística.



. o de criar uma dinâmica, clara e bem estruturada obra de vídeo-arte/instalação com um formato transdisciplinar -desafiando estilos e géneros artísticos - sem perder de vista o apelo a um público amplo.



O fascinante trabalho fotográfico de Annet van der Voort (NL/D) sobre bébés/fetos da Renascença, re-trabalhados visualmente por L-O-B-O, constitui-se ainda como um importante elemento visual desta obra de vídeo-arte.



O material para "unCUT" esteve em preparação on & off durante 5 anos, tendo inicialmente resultado na performance de dança teatro multimédia THE CUT, realizada em Copenhaga (Dinamarca) e numa curta série de performances-conferência de menor envergadura das quais se destacam as de George Mason University na Virginia do Norte/Washington em 2003.



Aqui no acercadanoite, esta obra será apresentada não no seu formato original de performance-instalação para 3 ecrãs mas na sua versão actualizada de 2008/09, onde para além de novas entrevistas e da transferência da obra para um único ecrã, vemos o performer-live das versões iniciais removido. Ou seja, a dinâmica e visualidade extraordinárias desta obra de vídeo-arte -onde os três personagens acima nomeados interagem, dançam, actuam e cantam, rodeados por referências da história do cinema, vídeo e artes visuais, literatura e história da dança - adquire assim o seu máximo de vigor e foco exclusivo.



"unCUT" continuará disponível para exibições futuras na Europa e América em galerias, teatros, museus e outros locais neste formato até 2011-12.



Still-life: Annet Van Der Voort / Arte-digital: Jakob Brandt-Pedersen



unCUT


NB: lista integral de créditos em www.l-o-b-o.com/uncut



Conceito, história & dramaturgia, video-arte,


montagem, poemas, coreografia, direcção, performer: L-O-B-O



Fotografia-conceptual (bébés da Renascença): Annet Van Der Voort



Textos originais: Marius Nørup-Nielsen



Outros textos de - ou inspirados por : Platão, “Simposio”, Jean Cocteau, “A Voz Humana”, Yukio Mishima, “Sol & Aço”, Harry Benjamin, “The Transsexual Phenomenon”, Martine Rothblatt, “The Apartheid of Sex”



Filmagem de exteriores, videotextos, consultora técnica: Signe Krogh



Samplers de videos & filmes: Jean Genet, “Un Chant d’Amour”, Jean Cocteau, “La Bèle et la Bête”, Roman Polanski, “Repulsion”, Stanley Kubrik, “Spartacus”, William Wyler, “Ben-Hur”, Krzysztof Kieslowski, “La Double Vie de Veronique”, Reiner Remake, “E-Xnle”



Som & música original: Kæv Gliemann (2003), Nanu (vozes, 2008)



Música: Sutekh, “19xx” ; Richard Chartier, “Filer”; Deltidseskapism, “Tanken Aterskapad”; Farben,“The Videoage (re-edit)”; Geez ‘N ‘Gosh, “012001” ; Shriekback, “Below”; Taylor Dupree, “Clir”; alva.noto, “Neue Stadt (Skizze B)”; Gridlock, “36:6:115”; Reinhardt Voigt, “Personal”; Håkan Lidbo, “Megalodon”; Mikael Stavöstrand, “Repl”; März, “Ranking” + “Rating”



Uma produção © L-O-B-O 2003 - ’08/09



Agradecimentos especiais a: J



unCUT – artistas principais:



L-O-B-O, coreógrafo, encenador, video-artista www.l-o-b-o.com


Formação de 10 anos em teatro-físico e dança em Portugal e na Dinamarca (aqui, como bolseiro Fundação Calouste Gulbenkian). O trabalho de L-O-B-O como coreógrafo e encenador e vídeo-artista é caracterizado e conhecido pela sua intransigência e sentido de consequência estética e formal, fortes conceitos cénicos e elaborados universos visuais.


Nos últimos 15 anos desenvolveu solos e trabalhos de grupo, em Lisboa e subsequentemente em Copenhaga, dos quais se destacam, BRADO [ou Mishima em Retrato de Vidro Múrmuro], K9 (trio para Metallica e quatro violoncelos), VOYEUR (fábula apocalíptica de ficção-científica sobre a nossa relação com os mass-media), SAUDADE (solo para a música de Carlos Paredes), THE CUT (género e identidade) entre outros… Após um bloqueio criativo e um subsequente interregno de 5 anos, longe da pressão continuada das actividades criativas, L-O-B-O retomou no final de 2008 a sua actividade desta vez também com maior foco em video-arte e screendance (video-dança) e produções low-budget. Neste contexto, lançou o seu novo website, estreou 'unCUT' (set.’08), e o filme de dança "ØM [Sore]" (Mar.'09) que se encontram a circular internacionalmente. Um novo filme-de-dança “ÆTER [Ether]” terá estreia em Março de 2010 em Copenhaga, Outros trabalhos de video-dança e video-arte seguir-se-ão até final de 2011.


LOBOTOMI, o seu mais recente trabalho para cena de 2007, manifesto sobre os processos de criação para arte cénica a partir de William Burroughs, Fernando Pessoa, Peer Hultberg e William Shakespeare, foi considerado pelo público como "Um raro abridor de olhos!" ou como "Matéria cénica para a nossa massa cinzenta!", pela imprensa dinamarquesa.


Excertos duma selecção da sua obra, podem ser apreciados em www.l-o-b-o.com



ANNET VAN DER VOORT, fotógrafa-conceptual www.annetvandervoort.com


Nascida em Emmen em 1950 na Holanda. Estudou Comunicação Visual na Fachhochschule Dortmund, Alemanha. Exposições colectivas e individuais na Kunsthal, Roterdão, Museet for Fotokunst, Odense, Zomer van de Fotografie, Antuérpia, Kulturzentrum Feuerwache, Mannheim, Kunstverein, Lingen, Nikolai Contemporary Art Center, Copenhaga 2001 e Stadtmuseum, Münster. O seu trabalho aparece em numerosas colecções em toda a Europa nomeadamente na Staatsgalerie, Stuttgart/D, European Polaroid Collection, Praga/CR, Industriemuseum, Dortmund/D, National Museum of Photography, Bradford/GB, Museet for Fotokunst, Odense/DK, Deutsches Architektur Museum, Frankfurt/D, Stadtmuseum, Münster/D, Gasunie, Groningen/NL, La Filature, Mulhouse/Fan e em inúmeras colecções particulares.


Annet Van Der Voort vive e trabalha como designer e fotógrafa-freelancer em Drensteinfurt, Alemanha.



* *


L-O-B-O [ dança, teatro, video-arte, screen-dance, filme, performance ]


Este é o nome artístico assim como também o nome da estrutura de trabalho do artista-cénico/vídeo-artista João Lobo.


Colaborar no trabalho desenvolvido em L-O-B-O é sempre sinónimo de risco a nível formal, estético e físico, de tentar quebrar as barreiras entre a dança, o teatro, artes-plásticas & visuais, de quebrar a concepção de si mesmo como pessoa e como artista.


L-O-B-O assenta assim, em uma fundação sempre pronta a procurar expandir fronteiras estéticas e formais e de continuada exploração das relações entre pessoas, instituições e arte na sociedade.


L-O-B-O utiliza prioritariamente filme, vídeo e internet para sublinhar a importância de permanentemente desafiar preconceitos sobre as temáticas em que a dança, e o teatro podem e devem activamente envolver-se.


Apesar de procurar evitar formatos vulgares do mainstream, L-O-B-O tem porém como objectivo apresentar os seus trabalhos para um público tão vasto quanto possível tanto na Dinamarca, Escandinávia, Europa , assim como no resto do mundo.



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L-O-B-O | unCUT | the art(ist) | 11 FEV 2010



L-O-B-O (dk/pt)


choreographer & stage-director, video-artist, performer



Formations in physical-theater and modern dance in Portugal & Denmark (the latter as a scholar of Fundação Calouste Gulbenkian). As an actor, dancer and singer, he has worked in Portugal, Greece, Sweden and Denmark. As a staging-director/choreographer L-O-B-O is best known for his uncompromising, strong scenic concepts and profound visual universes.


LOBO is currently touring in Denmark and abroad his extensive video art/ 1-screen installation 'unCUT' on gender and identity and his latest dance-films “ØM [Sore)” / “Dorido” and “Æter [Ether] / “Éter”


A selection of his works can be experienced www.l-o-b-o.com & www.l-o-b-o.com/uncut



Estrutura artística / declaração de princípios



L-O-B-O


[ dance, theatre, video-art, screendance, film, performance]



L-O-B-O’s creative work is about risk taking in both aesthetical and physical terms in a place where interdisciplinary choices are always the key for the creation of scenic-art, video-art or film.


L-O-B-O intends to widen its own aestetical barriers to unknown territories and to examin the roles and relationships between people, art, technology and society



L-O-B-O prioritizes the use of media such as film, video and the internet- in order to enhance the importance of challenging our preconceptions about what dance, theatre, performance can or should address.


L-O-B-O intends to present its work to as wide an audience as possible, both in Denmark, Scandinavia, Europe as well as the rest of the world.



EXCERTO DE ENTREVISTA PARA BLOG PORTUGUÊS



Num dos teus últimos projectos “unCUT” abordas o tema do problema de géneros. Da tua pesquisa, que, se não estou em erro, passou por Copenhaga, Estocolmo, Atenas, Gotemburgo, Bergen e Oslo, qual é a diferença de reacção a este problema?



“unCUT”(2008) é um produto derivado do projecto “THE CUT” -que me levou 5 anos a fazer- apresentado como uma performance em Copenhaga e como uma conferência/performance na Universidade George Mason na Virginia do Norte perto de Washington em 2003. Hoje, em 2009, é uma instalação de vídeo-arte sobre identidade, género e masculinidades. A única peça distintivamente Queer que fiz até hoje.


Os países escandinavos são muito uniformes no que respeita a questões de género e identidade. O debate sobre estas questões é um dado adquirido, não é problemático, apela-se sempre aos valores da tolerância, aceitação e abertura de espírito, valores porque estas sociedades são conhecidas em todo o mundo. Os homossexuais aqui são dos mais privilegiados em todo o mundo. A liberdade de expressão e de união é total (o casamento, como o dos heterossexuais, não existe ainda, só as uniões de facto -tenho acompanhado pela internet os excelentes acesos debates nos media sobre os direitos dos homossexuais portugueses).



O fenómeno do crescimento da ocorrência de hate-crimes aqui é perturbante, mas esses crimes são essencialmente cometidos por jovens a formar a sua identidade com outro background étnico, ou então adultos ignorantes ou sem escrúpulos de outras origens étnicas –normalmente árabes, africanos, eventualmente leste-europeus. Normalmente os perpetradores não são de origem étnico-nórdica.



No entanto, e voltando à questão dos géneros, verifiquei que, na verdade, as coisas não se passavam inteiramente da mesma forma como com os homossexuais quando se tratava dos transsexuais (prefiro, de facto, o termo transgéneros). Nós, no sul da Europa, temo-nos habituado um pouco a ter a tendência de considerar a Escandinávia uma perfeita quimera de virtudes imaculadas. Mas há, de facto, ainda muita coisa para melhorar. Há muito por fazer relativamente ao estigma vivido pelas transindentidades.



O meu trabalho de campo final para a instalação “unCUT” foi realizado há cerca de 6-7 anos atrás. Entretanto, muitas coisas se alteraram para melhor. Estou certo de que nas novas entrevistas que farei a partir de Janeiro para a continuação do processo de “unCUT” até 2011, hoje em dia muitos transgéneros se expressarão de forma diferente do que fizeram então. Pelo menos na Dinamarca parecem, finalmente, estar mais organizados e serem mais interventivos e visíveis do que nunca.



Algumas das situações legais relativamente aos seus direitos já não são tão caóticas como há 7 anos atrás,


nomeadamente: a questão de melhor acesso à intervenção cirúrgica definitiva aqui na Dinamarca com ajuda parcial do Estado –para que os transgéneros não tenham de ir para a Tailândia e outros destinos obscuros e baratos arriscar a sua vida ou saúde e ficarem com um handicap físico crónico irreparável- ou ir a clínicas insuportavelmente caras no ocidente e sujeitarem-se a dificuldades económicas ad eternum; ou então ainda a questão aparentemente simples da lei da mudança de nome.



Este último aspecto tem sido uma luta de muitos anos para os transgéneros aqui, mas a lei foi finalmente alterada este ano. Já se pode ter um bilhete de identidade e passaporte com o nome do género escolhido após a cirurgia, e em Julho deste ano tornou-se legal a possibilidade de nos passaportes ser permitido colocar um X em vez de M ou F no caso da cirurgia ainda não ter sido efectuada e a Clínica Nacional de Sexologia já considerar esse indivíduo como transsexual/transgénero.



Há 6 anos atrás, verificaria que era na Noruega que graças ao trabalho político de muitos anos de dedicação de Tone Maria Hansen e Elsa Almås Esben Esther Pirelli Benestad que os transgéneros noruegueses no conjunto dos países nórdicos eram os que menos sofriam... A situação está, felizmente, a alterar-se lentamente aqui na Dinamarca.



Ultimamente não tenho acompanhado os desenvolvimentos mais recentes na Suécia, Finlândia e Islândia.



Em Atenas, onde comecei a escrever o projecto em 1998, fiz só entrevistas sobre masculinidade(s).


Por sua vez, os estudos da(s) masculinidade(s) nórdicas tem tido um desenvolvimento francamente interessante nos anos mais recentes. Há associações de académicos bastante dinâmicas e bem organizadas e mesmo muito debate. A NeMM, a Associação de Estudos sobre Homens e Masculinidades dinamarquesa, convidou a minha instalação “unCUT” a ser exibida na Universidade de Roskilde no passado mês de Janeiro, no âmbito da 1a Conferência Nórdica de Masculinidades.



Qual é que achas que será o caminho para o género deixar de ser um problema?



Quando este apartheid do(s) género(s) e das sexualidades em que ainda vivemos e de que nunca falamos claramente começar a desaparecer, quando pusermos de parte a generalização e os estéreotipos relativamente a género, quando aceitarmos que é a biologia que dita as regras e não sentidos de moral categóricos. Quando ideologias retrógradas deixarem de ter influência no que deve ser a expressão sexual e de género de cada indivíduo. Quando aceitarmos que, na realidade, nós não deveríamos ser definidos pelos nossos genitais mas pela identidade de género que temos.


Seríamos definitivamente todos mais felizes se nos deixássemos de impor ‘coletes-de-força de género’ a seja quem fôr e nos decidissemos pela clara evidência de que estamos todos posicionados diferentemente (e também criativamente) num continuum espectral de género e de identidades sexuais.



Quando aceitarmos que para muitas mulheres e homens na nossa sociedade, ser homem ou mulher ou simplesmente um ser humano, ter um pénis ou uma vagina não é o essencial, e que o essencial e mais importante não é o que deve ser um direito humano rigorosamente absoluto à privacidade de cada um–o que está debaixo de umas saias ou dentro de umas calças-, mas a identidade que as pessoas sentem fervorosamente ser/ter, apesar das partidas que a biologia nos possa ter pregado. Que o essencial é uma pessoa ser socialmente e intelectualmente competente numa sociedade, na vivência e transmissão de valores essenciais de camaradagem, compreensão, liberdade, justiça, dignidade, tolerância, amor para com o seu semelhante, outros seres humanos.



Quando aceitarmos que género e sexualidade podem ser tão variáveis como as nossas impressões digitais e que o que na verdade todos somos é mutantes e transgéneros, então aí sim... Talvez aí comecemos a estar no caminho certo.


Se se introduzisse a palavra ‘gender’ no segundo artigo da Lei dos Direitos Humanos, seria excelente.



CURTA SINOPSE DE ”unCUT”



“unCUT” (video-art, 2008) is dance-theatre video-installation & website on sexuality, gender and masculinity. It revolves around 3 triplates with different sexual identities: a) the terms masculinity and manhood are discussed by Joshua, a danish homosexual man; b) the meaning of normality, beauty and love are reflected in Eva’s life, a sophisticated danish transsexual woman; c) new male values and norms are mirrored in David’s actions, a busy modern danish heterosexual man. Apart from these aspects the soundtrack gives voice to real people that L-O-B-O has met and interviewed in whole Scandinavia including expert-academicians on the fiels of gender and identity.


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vídeo-arte 'UnCut' + debate 'Identidades Sexuais' | QUINTA 11 FEVEREIRO



No próximo dia 11 de Fevereiro às 21h, o acercadanoite, o mais antigo bar de Almada, com uma longa tradição de tertúlia, levará a cabo uma iniciativa que terá uma componente artística, com a estreia de uma peça de vídeo-arte e depois um debate.

A peça UnCut é de João Lobo, um português há muitos anos residente na Dinamarca, sobre transidentidades, género, masculinidades. Trata-se das histórias dos trigémeos fictícios Joshua, Eva e David que têm diferentes identidades sexuais e que, por razões diferentes, são fascinados por um misterioso, sempre ausente, amigo grego comum, Agathon. Discutem-se questões da identidade do homem moderno: os conceitos de masculinidade, virilidade e normalidade são abordados poeticamente através do homossexual Joshua; o significado dos conceitos de 'normalidade', 'beleza' e 'amor' são debatidos através da lupa 'queer-política' de Eva, uma sofisticada mulher transexual; novos valores confrontam a mentalidade heteronormativa de David, um heterossexual que se considera normal e sempre demasiado ocupado para se dar conta do seu semelhante.




A banda sonora complementa os personagens dando voz a pessoas reais que L-O-B-O entrevistou na Escandinávia através de um abrangente trabalho de investigação e de campo que incluiu também a consulta de diversos especialistas académicos em questões de género e identidade, tentando integrar conhecimento académico e trabalho de campo num interessante, complexo e pouco comum processo de criação artística.

Integram o painel para o debate com o tema 'Identidades sexuais' (que se fará com recurso ao skype porque estaremos em contacto com Copenhaga), Pia Nielsen e Karin Astrup, representantes da Transdebat & Konsidentitet, associação dinamarquesa de debate de questões de género e identidade e transexualidade e Marie Louise Holm, representante da Nemm-Netvaerk for Forkning om Maend & maskuliniteten, rede de estudo/investigação sobre Homens e masculunidades que integra uma rede de estudo nórdica sobre o mesmo assunto.

Do nosso lado teremos Miguel Vale de Almeida (Antropólogo Social e Deputado do PS), Helena Pinto (Deputada do BE que apresentou e defendeu o projecto lei sobre casamento e adopção), Raquel Freire (realizadora e membro dos Panteras Rosa) e Filipe Salema do Grupo de Intervenção e reflexão sobre Transexualidades da Associação ILGA Portugal.

O moderador será Reinhard Naumann, sociólogo e representante da Fundação Friedrich Ebert em Portugal.

O objectivo desta reunião de pontos de vista é debater o assunto, pegando na realidade que temos em Portugal numa altura em que estamos na eminência de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, na convicção de que todos os espaços são dignos do exercício da cidadania e da intervenção social.

photocredit Annet Van Der Voort

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IMAGINARTE 2009 NO ACERCADANOITE - FOTOS DE PAULO NUNES

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SÁBADO 24 | ANIVERSÁRIO 24 ACERCADANOITE

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DEBATE AUTÁRQUICAS 2009 ALMADA | TERÇA 6 OUTUBRO


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DJ MUFFY | SÁBADO 03 OUTUBRO

DJ MUFFY
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DOMINGO 4 DE OUTUBRO

ESTAMOS ABERTOS
DOMINGO
DIA 4 DE OUTUBRO
(VÉSPERA DE FERIADO)

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